"Portugal despede-se de um dos seus ícones". As reações à morte de Jorge Palma

"Portugal despede-se de um dos seus ícones". As reações à morte de Jorge Palma

As mensagens de condolências surgem de vários quadrantes da sociedade portuguesa. O presidente da República recordou "temas inesquecíveis", o primeiro-ministro disse que "Jorge Palma parte, mas a sua música fica" e músicos como Samuel Úria lembraram uma carreira marcada por "coisas absurdamente magistrais".

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Artur Widak - NurPhoto via AFP

O presidente da República reagiu esta terça-feira à notícia da morte de Jorge Palma, lamentando a morte de um "ícone" e "poeta". O músico, um dos cantores e compositores mais marcantes da música portuguesa contemporânea, morreu na segunda-feira à noite, aos 76 anos.

"Portugal despede-se de um dos seus ícones e de um dos grandes poetas da nossa música e da nossa sensibilidade. As suas canções hão de ficar como uma recordação intensa e profunda da nossa melancolia; elas marcaram a vida portuguesa durante décadas e, por muito tempo, hão de iluminar a memória de várias gerações", lê-se numa nota no site da Presidência. 

António José Seguro frisa que "os acordes, os ritmos e as melodias de temas inesquecíveis (...) recordarão o seu lirismo imprevisível e nunca de efeito fácil ou efémero".

"Herdeiro de tradições musicais e literárias muito diversas e complexas, por vezes inesperadas ou improváveis, Jorge Palma emprestou à música portuguesa um caráter único e uma busca incessante da beleza que construiu uma utopia da amizade, do amor, da generosidade – e do riso. De certa maneira, todos habitámos o seu bairro do amor, todos nos rimos com os seus versos, todos nos sentimos frágeis, todos prometemos continuar a ser aqueles que fomos quando cantámos as suas canções pela primeira vez ou quando elas deram sentido às nossas vidas", escreve o chefe de Estado, fazendo referência a algumas das músicas mais marcantes da carreira do músico.

Em homenagem a Jorge Palma, ao longo desta terça-feira vão ouvir-se, junto ao Palácio de Belém, algumas das canções do músico, entre as quais "Bairro do Amor", "Frágil", "Estrela do Mar" e "Deixa-me rir".Em agosto de 2024 Jorge Palma esteve na Grande Entrevista da RTP. Reveja aqui.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, garante que Jorge Palma “fica nas palavras, nas melodias e na memória de várias gerações”, dizendo que “ajudou a transformar com a sua voz única e músicas intemporais”.


A ministra da Cultura também já reagiu, dizendo à RTP Antena 1 que Jorge Palma “marcou, de facto, muitas gerações e várias músicas fazem parte da nossa identidade nacional, da nossa memória coletiva”.

“Era de facto um músico e um autor absolutamente extraordinário”, declarou Margarida Balseiro Lopes.
O antigo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, diz que Jorge Palma vai ficar para sempre na memória dos portugueses. Fala também numa pessoa doce, de quem que era muito fácil gostar-se.


Na sua página na rede social X, Paulo Rangel escreve que, perante a morte do cantor e compositor, "ficam a voz, os poemas e o carisma". É "um dia triste - muito triste - para a música portuguesa e, claro, para todos os que o amavam".

Paulo Rangel abre a mensagem citando uma das canções do músico - "O que eu não vivi, hei-de inventar contigo" -, e termina-a garantindo: "O que ele já não vai viver, vamos nós agora inventar com ele".

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro recorda um dos "maiores músicos e compositores" portugueses e a sua "obra extraordinária".

"Jorge Palma deixa-nos uma obra extraordinária, feita de palavras, melodias e canções que atravessaram gerações e que ficarão para sempre na memória coletiva dos portugueses", escreveu José Luís Carneiro, na sua página oficial na rede social X, afirmando que "Portugal perdeu hoje um dos seus maiores músicos e compositores".
"Dotado de mãos olímpicas"

O músico Samuel Úria disse ser complicado encontrar palavras “que façam justiça” a Jorge Palma. “Esta notícia apanhou-me como um aríete no peito. Ainda por cima eu tinha muitos planos para o Jorge Palma”, disse.

“Pode parecer uma coisa disparatada e até egocêntrica de se dizer. Boa parte desses planos eram musicais”, revelou à RTP Antena 1, “mas também eram planos para escutá-lo, continuar a escutá-lo”.

“Ele fez tantas coisas absurdamente magistrais” e “era dotado de mãos olímpicas para as coisas mais eruditas, mas depois também tinha simplicidade para fazer o melhor folk que este país já escutou”, disse Samuel Úria.
Para Fernando Tordo, Jorge Palma “foi sempre um querido amigo” e “uma figura única”.

“Para mim não morreu. Tenho estado a ver as imagens e ele fica. É um caso exemplar, único, inimitável”, disse à RTP Notícias. “Quem tem o percurso de vida que ele teve, quem foi consensual como ele foi, com um público absolutamente extraordinário”, desaparece fisicamente, mas “fica”.

Entre as suas características mais marcantes, “cultivava a boa educação, a temperança nas coisas, o modo como falava, como estimava os amigos”, enumerou Fernando Tordo. “Provocava bem-estar à volta dele”.
A fotógrafa Rita Carmo, que captou a imagem de Jorge Palma ao longo de décadas nos bastidores e no palco, lembrou que este ano, na cerimónia dos Prémios Play, o músico levou um cravo ao peito porque “tinha muitos ideais, era um idealista e sempre foi um resistente”.

“Eu vejo-o como um grande resistente, à doença inclusive, à vida que levou, que foi sempre bastante diversificada e muito no limite”, disse à RTP Antena 1.
Já o músico Tim contou à rádio pública que “o Jorge, quando fazia uma canção, estava a escrever o que lhe ia na alma, o que lhe ia na cabeça” e não para que alguém gostasse.

O vocalista dos Xutos e Pontapés realçou que Palma “tinha um jeito danado e especial para fazer esta habilidade” e “só temos de lhe agradecer todas as ideias que teve”.
Numa carreira de mais de 50 anos, que teve origem nas bandas Sindicato e Black Boys, destaca-se o percurso a solo que fez depois, a partir do álbum de estreia, "Como uma viagem na palma da mão", consolidado com mais de uma dezena de álbuns de originais, como "É proibido fumar", "Norte", "Voo nocturno", "Com todo o respeito", e com canções como "Bairro do amor", "Na terra dos sonhos", "O meu amor existe", "Estrela do mar", "Deixa-me rir" e "Frágil".

"Vida", o álbum mais recente, o derradeiro, foi editado em 2023.

Jorge Palma venceu o Prémio José Afonso, em 2002, com "Jorge Palma", e a primeira edição do Prémio Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores, em 2012, com o álbum "Com todo o respeito".

Em 2020, foi distinguido com a medalha de mérito cultural da Câmara Municipal de Lisboa, e foi condecorado pelo então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Em abril deste ano, recebeu o Prémio Carreira dos 8.º PLAY - Prémios da Música Portuguesa.
PUB